GLOSSÁRIO · Terceiro Setor

O que é MROSC: Marco Regulatório das OSCs

MROSC é a lei que governa parcerias entre ONGs e governo. Entenda como funcionar, quem se beneficia e como captar recursos públicos.

RMRuan Malique · Fundador do CapitaaiAtualizado em 08 de maio de 20269 min de leitura

MROSC é o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, a lei que rege como ONGs, institutos e associações capturam recursos públicos através de parcerias com governo. Se você trabalha com captação, precisa entender isso.

Olha o tamanho disso: o Capitaai monitora 232 editais ativos hoje e indexa 128 projetos aprovados pra referência de captadores. Desses 232, quantos você acha que seguem o MROSC? Praticamente todos os editais de governo que valem a pena. Não é por acaso.

Mas vou ser sincero: MROSC é um daqueles termos que parece complicado na primeira leitura. Nome jurídico, sigla estranha, lei grande demais. A realidade? É simples. E se você não entender como funciona, vai deixar dinheiro na mesa.

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O que é exatamente MROSC

MROSC significa Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Formalmente, é a Lei 13.019/2014, mais as alterações que vieram depois (Lei 13.204/2015 e ajustes posteriores). Mas qual é o trabalho real dela?

É simples: MROSC é a lei que estabelece as regras para parcerias entre OSCs e órgãos públicos. Quando um governo federal, estadual ou municipal quer trabalhar com uma ONG, seja pra executar projeto social, cultural, ambiental ou de qualquer tipo, ele tem que usar MROSC como base legal.

Antes de 2014, cada edital de governo tinha suas próprias regras. Era caos. OSCs precisavam aprender 50 linguagens diferentes de edital. Teve edital pedindo documento que outro não pedia. Teve prefeitura que aceitava coisa que o ministério não aceitava.

MROSC veio pra padronizar. Uma lei única, regras claras, direitos e deveres explícitos dos dois lados. Pra captador, isso é ouro: você aprende as regras UMA VEZ e aplica em 80% dos editais de governo que vê por aí.

Os três tipos de parceria dentro do MROSC

A lei organiza tudo em três modalidades. Cada uma tem características diferentes:

Termo de Colaboração: você propõe o projeto. É a OSC que chega pro governo dizendo "vou fazer isso, vocês bancam?". Mais liberdade criativa, mas menos dinheiro garantido. Típico pra projetos inovadores.

Termo de Fomento: governo publica um edital com escopo fechado. Você se inscreve e compete com outras OSCs pela mesma bolada. Mais previsibilidade, menos negociação. A maioria dos editais que você vê é fomento.

Acordo de Cooperação: é quase um "almoço entre amigos com assinatura". Não envolve transferência de dinheiro público, só trabalho conjunto, compartilhamento de estrutura. Raro em captação, mas existe.

Dentro do Capitaai, 80% dos 232 editais ativos hoje são formalizados como Termo de Fomento. Por quê? Porque governo prefere gerenciar risco assim. Edital público, seleção competitiva, quem ganha leva. É mais transparente.

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Como funciona na prática

Tá bem, teoria é legal. Mas como isso vira dinheiro na sua conta?

O fluxo é assim:

  1. Governo publica edital, segue MROSC como referência. Define público-alvo, tipo de projeto, recursos disponíveis, prazos.
  2. Você se inscreve, monta projeto, submete documentação, cumpre requisitos legais que MROSC padronizou.
  3. Análise técnica e jurídica, governo checa se seu projeto é viável E se você cumpre os critérios de elegibilidade que MROSC exige.
  4. Aprovação, se passou, vira um Termo de Colaboração ou Fomento assinado por ambos.
  5. Execução, você executa o projeto, presta contas segundo MROSC, governo monitora.
  6. Prestação de contas final, você prova que gastou certo, fez o que prometeu, cumpre os requisitos legais de MROSC.

Pareça longo? Não é. Tem edital que sai do lançamento à assinatura em 3 meses. Outros levam 6-8. Depende de quantas OSCs se inscrevem (competição) e da complexidade do governo (governo federal demora mais que município).

Pegadinha comum: captadores acham que MROSC é só sobre dinheiro. Não é. MROSC também quer saber quem você é, se você tem estrutura, se já executou projeto parecido antes. Muita OSC nova zera por isso, tem projeto bom, mas não tem histórico. Começa pequeno.

Aqui mora ouro pra captador esperto: se você já tem projeto aprovado antes segundo MROSC, você fica em vantagem competitiva em próximos editais. Governo já conhece sua execução. Documentação é mais fácil. Aprovação vem mais rápido.

Dos 128 projetos aprovados que a Capitaai indexa, 47% deles vieram de OSCs que já tinham aprovação anterior. Não é coincidência.

Detalhe técnico: MROSC exige que toda OSC parceira seja registrada e regularizada, CNPJ ativo, estatuto atualizado, conselho gestor formalizado. Isso parece burocracia, mas tem lógica: governo quer garantir que você tá operacional. Sem isso, não tem como formalizar parceria.
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Quem se beneficia (e quem não)

MROSC não é pra todo mundo. Tem critério de elegibilidade bem específico.

Perfil Se beneficia de MROSC? Por quê
ONG registrada, CNPJ ativo, estatuto claro ✅ Sim Você é uma OSC formal. Governo quer trabalhar com você
Instituto ou fundação privada com bom rastro ✅ Sim MROSC aceita qualquer entidade sem fins lucrativos. Seu histórico de execução ajuda
Associação comunitária pequena, recém-criada ⚠️ Depende Você é elegível, mas concorre em pé de igualdade com grandes OSCs. Editais menores ajudam
Empresa de consultoria ou agência de marketing ❌ Não MROSC é pra OSC. Empresa com fins lucrativos não pode captar desse jeito. Pode ser parceira, não proponente
Igreja ou templo religioso (sem OSCIP) ⚠️ Restrito Lei permite, mas muitos editais excluem expressamente por questões políticas. Leia edital com cuidado
Organização internacional sediada no Brasil ✅ Sim Se registrada como OSC, pode captar editais de governo

Tudo bem, parece simples na teoria. Não é.

Eu já vi OSC que tinha CNPJ ativo mas não passava em edital porque o estatuto tava desatualizado. Li literalmente lá: "você não pode fazer isso com seus recursos porque o estatuto de 2009 não autoriza". Gastou 2 meses pra corrigir, perdeu edital que fechou.

Outro caso: pequena organização comunitária, tudo correto, mas zero histórico de execução de projeto maior. Ficou fora de edital de R$ 500 mil. Fez sentido do ponto de vista de risco de governo, mas ela tinha potencial total.

Estratégia: se você é pequeno ou novo, comece por editais SUAS (Assistência Social) ou de governo local. São menos competitivos. Construa histórico. Depois pula pra editais federais maiores. MROSC adora captador com trajetória.
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Erros e mitos comuns sobre MROSC

  1. "MROSC é uma lei que proíbe OSC de captar dinheiro", Errado. É o oposto. MROSC criou um caminho legal e transparente pra captar público. Antes era muito mais caótico.
  2. "Se meu projeto é aprovado no edital, o dinheiro já tá garantido", Cuidado. Aprovação não é desembolso. Tem liberação orçamentária envolvida. Governo federal pode aprovar seu projeto mas só liberar dinheiro 6 meses depois. Leia os termos.
  3. "Documentação de MROSC é a mesma em todos os editais", Não mesmo. MROSC padroniza o mínimo. Cada órgão pode pedir documentação extra. Ministério da Cultura pede coisas que Ministério da Saúde não pede. Sempre leia o edital completo.
  4. "Só OSC grande consegue captar por MROSC", Mentira. A gente vê OSCs pequenas levantando R$ 100-300 mil em editais municipais. Tamanho importa menos que estrutura e clareza de projeto.
  5. "Uma vez que capto por MROSC, consigo captar tudo que quero pra minha OSC", Não funciona assim. MROSC governa parceria com governo. Se você quer captar de empresa privada, incentivo fiscal ou fundação internacional, são outras regras. MROSC não é tudo.
  6. "Se meu projeto tem MROSC, não preciso prestar contas detalhada", Errado. MROSC exige prestação de contas rigorosa. Recibo de tudo, relatório de execução, comprovação de resultados. Governo é mais rigoroso do que fundação privada, em geral.
  7. "MROSC é mais fácil que captação de patrocínio", Depende. MROSC é mais previsível e legalizado. Patrocínio é mais rápido em alguns casos. Cada um tem custo-benefício diferente.

Não é por acaso que captadores experientes combinam MROSC com outras fontes. Edital público é a base, mas não é tudo. Faz parte de uma estratégia maior de diversificação de fomento.

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Como aplicar isso na sua captação

Agora o negócio fica prático.

Se sua OSC quer captar recursos públicos, MROSC é o caminho. Mas não é só ler a lei e inscrever. Tem estratégia envolvida.

Passo 1: verifique sua elegibilidade. Tem CNPJ? Ativo? Estatuto atualizado? Nunca recebeu edital antes? Ótimo, comece por edital pequeno pra ganhar experiência. Já tem aprovação anterior? Ótimo, use isso como vantagem competitiva em próximos editais.

Passo 2: monitore editais constantemente. MROSC virou padrão, mas edital não aparece sozinho. Você precisa saber quando abre. Observatório 3º Setor é uma fonte (20 editais monitorados pelo Capitaai hoje), Fundação Cultural Cassiano Ricardo (16 editais), FAPESC em Santa Catarina (10 editais). Mas tem dezenas de outros financiadores menores.

Em nossa base de 232 editais ativos, 189 deles usam MROSC como referência legal. É 81% dos editais. Isso é a realidade: se você quer captar governo, vai usar MROSC.

Passo 3: customize seu projeto pro edital. MROSC padroniza, mas não remove a necessidade de adequação. Edital que abre é pra um público específico, com uma missão específica. Sua OSC cuida de idoso? Procura edital de SUAS. Cuida de cultura? Procura edital de ministério cultural.

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Passo 4: documente tudo conforme MROSC exige. Estatuto, CNPJ, histórico de execução anterior (se tem), referências de parceiros, projeto detalhado. Governo não gosta de improviso. MROSC exige clareza. Quanto mais claro seu projeto, mais chance de aprovação.

Passo 5: não confunda MROSC com incentivo fiscal. MROSC é parceria direta com governo. Incentivo fiscal (Lei Rouanet, Lei do Audiovisual, Lei de Inovação) é diferente, você capta de empresa privada que usa dedução fiscal. Regras completamente diferentes. Você pode usar os dois na mesma OSC, mas são processos distintos.

Recurso útil: A lei completa do MROSC está em planalto.gov.br. Parece intimidador. Leia só os artigos 1-20 pra entender estrutura. O resto você descobre conforme navega editais.

Olha, vou te contar uma coisa real: em março de 2024, uma OSC de assistência social em Minas Gerais captou R$ 850 mil por MROSC. Projeto simples, atendimento a crianças vulneráveis. Equipe de 8 pessoas, histórico de 4 anos de execução. Nada de espetacular. Mas tinha estrutura. Tinha clareza. Conhecia MROSC.

Ao mesmo tempo, uma OSC de tamanho parecido em São Paulo tentou captar R$ 1.2 milhão, foi aprovada, mas só recebeu 40% do dinheiro nos primeiros 12 meses por questões orçamentárias de governo. MROSC garante a parceria legal, não garante desembolso instantâneo.

Por isso: combine MROSC com outras fontes de fomento. Use edital público como base, mas não dependa 100% dele. Patrocínio corporativo, doação, fundação privada, cada uma com suas próprias regras. Uma OSC sabida não coloca todos os ovos na cesta de MROSC.

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Cara, a verdade é que MROSC existe há 10 anos. Muita gente ainda não entendeu. Enquanto isso, quem estuda MROSC de verdade, entende a estrutura, acompanha editais e monta projeto bem, sai na frente. Não é complexo. É só questão de saber onde procurar.

Fontes consultadas

  1. [1]Lei 13.019/2014 - Marco Regulatório das OSCs
  2. [2]Lei 13.204/2015 - Alterações ao MROSC
  3. [3]Portal de Transparência - Governo Federal
  4. [4]Secretaria de Estado da Cidadania - Normativas e Orientações
C
Capitaai
Plataforma de captação de recursos

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Perguntas frequentes

Dúvidas mais comuns de captadores sobre este edital.

MROSC é o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Lei 13.019/2014) que estabelece as regras para parcerias entre OSCs e órgãos públicos. Antes de 2014, cada edital tinha suas próprias regras causando caos. MROSC padronizou o processo, criando um framework legal único e transparente. É importante porque governa como ONGs, institutos e associações capturam recursos públicos e define direitos, deveres e procedimentos de ambos os lados. Sem MROSC, não existe parceria formalizada com governo.

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