GLOSSÁRIO · Cultura SP

O que é PROMAC: Programa Municipal de Apoio à Cultura SP

PROMAC é subvenção direta da prefeitura de São Paulo para projetos culturais. Sem exigência de patrocinador privado, diferente da Lei Rouanet. Saiba como

RMRuan Malique · Fundador do CapitaaiAtualizado em 15 de maio de 202611 min de leitura

PROMAC é o Programa Municipal de Apoio à Cultura de São Paulo, um financiamento direto do município pra projetos culturais sem passar por incentivo fiscal. Diferente da Lei Rouanet, não precisa de patrocinador privado. Você capta direto com a prefeitura.

O que é exatamente PROMAC

PROMAC significa Programa Municipal de Apoio à Cultura. É um edital de subvenção municipal que a Secretaria de Cultura de São Paulo abre periodicamente pra financiar projetos de produção cultural na cidade.

Não é empréstimo. Não é convênio. É dinheiro direto.

Criado na década de 1990, o PROMAC funcionava como o grande fomentador cultural da capital antes da Lei Rouanet virar mainstream. Hoje convive com a Rouanet, mas tem lógica diferente. A Rouanet é incentivo fiscal, a empresa gasta e recebe crédito de imposto. PROMAC é subvenção direta, o município aloca orçamento cultural e distribui entre projetos aprovados.

Historicamente, PROMAC era a porta de entrada pra toda instituição cultural séria em São Paulo. Muitos equipamentos e coletivos que você conhece hoje começaram com PROMAC. Depois cresceram, entraram em Rouanet, convênios maiores. Mas a origem era sempre lá.

O programa ganhou força porque resolve um problema real: não toda produção cultural cabe em lógica de patrocínio corporativo. Tem projeto de pesquisa, de circulação em comunidade, de arquivo e memória, que corporação não financia porque não gera retorno de marca. Aí entra o município com PROMAC.

A diferença prática entre PROMAC e Lei Rouanet

Quem entra no PROMAC não precisa sair procurando patrocinador. O dinheiro vem do cofre municipal. Você só precisa provar que o projeto é viável, tem orçamento realista e impacto cultural legítimo na cidade.

A Rouanet exige que você traga o patrocinador já fechado. PROMAC não. Isso muda tudo pra captador de porte pequeno ou médio que não tem rede em grandes empresas.

Tem mais. Na Rouanet, o patrocinador assina termo, se compromete, pode mudar de ideia no meio do processo (raro, mas acontece). Em PROMAC, é contrato com a prefeitura. Uma entidade de direito público. Menos volatilidade.

Outra diferença: na Rouanet você depende de Salic (sistema federal, interface confusa, prazos apertados). Em PROMAC, a prefeitura usa plataforma municipal ou até email direto. Mais simples operacionalmente.

Em nossa base, monitoramos 110 editais ativos em cultura hoje. PROMAC aparece frequentemente nas buscas de quem quer fomento municipal direto, sem passar por incentivo fiscal. É porque funciona. E porque captadores menores sabem que Rouanet exige preparo que eles ainda não têm.

Quem oferece PROMAC

Tecnicamente, PROMAC é programa da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Mas outras cidades do estado e do Brasil têm programas equivalentes com nomes diferentes. O padrão é igual: município oferece dinheiro direto pra cultura local.

São Paulo é a referência porque o PROMAC histórico dela é consolidado. Tem décadas. Tem jurisprudência. Tem instituições que vivem de PROMAC a cada ciclo. Isso cria estabilidade.

Mas se você procura "programa municipal de apoio à cultura" na sua cidade, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador, provavelmente encontra algo parecido. Nomes mudam. Regras mudam. Mas a lógica é igual: município com orçamento cultural, distribuindo direto.

Capitais têm mais estrutura pra isso. Cidades menores às vezes concentram fomento em Lei Rouanet ou em convênios com Secretaria de Estado. Mas em São Paulo especificamente, PROMAC é porta sempre aberta.

Como funciona na prática

O fluxo é direto. Não é complexo como PRONAC e Salic.

  1. Prefeitura abre edital, especifica linhas temáticas (circulação, produção, pesquisa, patrimônio, etc), valores máximos por categoria, prazo de inscrição (geralmente 30-60 dias), data de resultado
  2. Você cadastra projeto, descrição executiva, objetivos, público-alvo, descrição detalhada, orçamento discriminado, cronograma, comprovante de regularidade (CNPJ ativo, imposto em dia, ausência de dívida com município)
  3. Análise técnica, secretaria avalia viabilidade artística, viabilidade financeira (orçamento realista?), alinhamento com diretrizes municipais, histórico e capacidade da organização, impacto cultural esperado
  4. Resultado, publicado em diário oficial. Aprovados recebem aviso de habilitação e cronograma de liberação de crédito (pode ser parcela única ou em tranches)
  5. Execução com prestação de contas, você executa o projeto conforme cronograma aprovado, coleta recibos e comprovantes de despesa, envia ao município em datas marcadas, secretaria aprova ou pede ajustes. Só quando aprova, você recebe a próxima parcela

Essa cadeia toda leva tempo. De edital aberto a primeiro desembolso, contar 3-4 meses. Quem não tem caixa pra rodar projeto na sua conta antes de receber, sofre.

Pegadinha comum: muitos captadores entregam documentação incompleta na última hora. A prefeitura rejeita por falta de cópia de contrato de aluguel do espaço ou declaração de ausência de dívida emitida há mais de 30 dias (documento datado demais não vale). Leia MUITO bem o edital antes de entregar. Erro aqui não tem segunda chance.

Diferente da Salic (sistema da Rouanet), PROMAC costuma usar plataformas municipais específicas ou email. Varia por cidade e por edição. Mas geralmente é menos burocrático que federal.

Prazos são curtos. Quando abre, fecha. Não procrastina. Edital fica aberto 30, 45, 60 dias máximo. Depois, barra pesada. Secretaria não estende prazo de inscrição porque "faltam projetos".

Quanto dá pra captar

Varia bastante. Alguns editais PROMAC oferecem teto de R$ 50 mil por projeto, outros de R$ 150 mil, outros de R$ 300 mil. Alguns deixam aberto por categoria (produção de teatro até R$ 200k, circulação até R$ 100k). Depende do orçamento que a prefeitura disponibilizou aquele ano e da prioridade política (se eleição tá perto, cultura ganha mais investimento).

O que você NÃO faz com PROMAC é captar R$ 1 milhão pra um espetáculo. Pra isso, vai pra Rouanet ou convênios com Secretaria de Estado. PROMAC é pra projeto de médio porte, circulação local, produção de conteúdo cultural que toca a cidade.

Tipicamente, PROMAC financia: montagem de espetáculos (teatro, dança, circo), circulação em bairros periféricos, pesquisa artística, restauração de acervos culturais, publicação de livros sobre arte local, oficinas comunitárias, documentários sobre patrimônio, etc.

Não financia: atividades comerciais diretas (bar cultural que faz show e vende ingresso), campanhas políticas (mesmo que sobre cultura), custeio administrativo puro (você não vai pra pagar aluguel de escritório), viagens internacionais de artistas.

Detalhe importante: PROMAC costuma privilegiar projetos que geram circulação cultural na cidade, leva arte pra zona periférica, gera emprego de artista local, envolve comunidade. Se seu projeto é fechado num estúdio pra só depois virar DVD, tem chance menor. Se é circulação aberta ao público e toca gente, sobe a nota.

Quem se beneficia (e quem não)

PROMAC foi desenhado pra ONGs culturais, cooperativas, produtores independentes e equipamentos culturais. Mas tem critérios de elegibilidade rigorosos que cortam muita gente.

Perfil Se beneficia? Por quê
ONG cultural registrada, CNPJ ativo, sem dívida com município SIM Perfil clássico. Secretaria confia em entidades formalizadas com histórico
Produtor independente (PJ/MEI) TALVEZ Alguns editais pedem CNPJ obrigatório. Outros aceitam MEI. Depende muito do edital específico
Empresa comercial (livraria, galeria, bar cultural) NÃO PROMAC é fomento público, não subsídio pra negócio privado. Empresa vai pra Lei Rouanet como patrocinadora
Equipamento cultural municipal (biblioteca, museu, centro cultural) SIM Secretaria aloca orçamento pra instituições que já mantém, pra atividades específicas
Artista solo sem CNPJ NÃO Precisa de intermediário formal ou constituir PJ. Prefeitura não paga direto pra pessoa física
Coletivo registrado em cartório (sem CNPJ) NÃO Alguns editais antigos aceitavam. Hoje exigem formalização via CNPJ. Cartório não é suficiente
Universidade pública (projeto de extensão) SIM Algumas linhas de PROMAC reservam % pra projetos de universidades públicas

Olha o tamanho dessa: muita gente acha que precisa de Lei Rouanet ou convênio complexo com Secretaria de Estado. Não vê PROMAC porque tá fora do radar. Se você tem projeto consolidado em SP, edital PROMAC bate antes da Rouanet, e o processo é 10× mais simples.

Se você é coletivo novo, sem CNPJ ainda, a primeira coisa é formalizar. Cartório gera associação, mas pra PROMAC você precisa de CNPJ. A boa notícia: é barato, demora 2 semanas online, e abre porta pra todo fomento público.

Não é por acaso que captadores menores crescem usando PROMAC como primeira porta. É a encruzilhada entre formalização leve e dinheiro real.

Erros e mitos comuns sobre PROMAC

  1. "PROMAC só financia teatro e artes cênicas", Falso. Há linhas pra circulação de qualquer linguagem, patrimônio, audiovisual, dança, literatura, fotografia, artes visuais. Mas o edital especifica. Você precisa se enquadrar na linha que a prefeitura abriu naquele ano. Se ano que vem abre linha audiovisual e você faz teatro, espera.
  2. "Se aprovado em PROMAC, a prefeitura paga tudo na hora", Errado. Geralmente é em parcelas. Primeira parcela sai quando projeto é aprovado e você assina termo. Segunda e terceira saem conforme você executa e presta contas. Caixa municipal tem ritmo próprio. Contar com dinheiro 100% no mês 1 é ilusão.
  3. "Preciso de patrocinador privado pra usar PROMAC", Não. Aqui é subvenção direta. Patrocinador é coisa de Rouanet. Em PROMAC você não precisa nem mencionar patrocinador. Prefeitura é seu patrocinador.
  4. "PROMAC tá morto porque Lei Rouanet é melhor", Meio-verdade. Rouanet é maior em volume pra projetos grandes. Mas PROMAC volta e meia, é mais ágil, e é caminho mais rápido pra quem é pequeno ou novo e não consegue fechar patrocinador.
  5. "Posso apresentar o mesmo projeto em PROMAC e Rouanet ao mesmo tempo", Cuidado. Alguns editais PROMAC proíbem dupla inscrição (mesma "obra" em dois programas simultâneos). Outros deixam claro: se aprovado em PROMAC e depois em Rouanet, você escolhe um. Leia bem. Muita gente perde aprovação por duplicação.
  6. "PROMAC é só pra quem tem currículo robusto de 10 anos", Parcialmente. Organização nova com projeto forte às vezes ganha. Secretaria preza por viabilidade do projeto, não só histórico da entidade. Mas organização com histórico sólido tem vantagem clara, óbvio.
  7. "O edital não menciona um documento, então não é obrigatório", Errado novamente. Se o edital diz "comprovante de quitação de IPTU", você PRECISA. Se não conseguir, não envia projeto incompleto. Prefeitura desqualifica na hora. Secretaria não negotia aqui, ao contrário de Rouanet que às vezes flexibiliza.
  8. "Se meu projeto é aprovado em PROMAC, ele fica público e todo mundo copia", Mentira. Você controla comunicação e execução. Prefeitura divulga lista de aprovados (é publicidade pública), mas detalhes orçamentários, cronograma e execução ficam com você.
  9. "Só entra em PROMAC quem tem contato na prefeitura", Falso. Sistema é aberto, edital é aberto. Pode entrar qualquer entidade elegível. Contato ajuda a tirar dúvida, mas aprovação é por mérito (hoje, pelo menos).

Como aplicar isso na sua captação

Se você é gestor cultural em São Paulo (ou município com programa similar), PROMAC precisa estar no seu radar de captação imediata.

Primeiro: monitore quando abre. Edital PROMAC não é recorrente como Rouanet. Abre em janelas específicas, geralmente primeira metade do ano (fevereiro a junho). Se você espera, perde. Configure alerta no seu email ou monitore site da Secretaria de Cultura SP e Diário Oficial do Município.

Captador profissional tá sempre vendo quando edital sai. Não é surpresa. Edital PROMAC é lei, tem que passar por processo público, aparece em diário oficial antes de sair comunicado de imprensa. Se você tá acompanhando, vê primeiro que concorrente.

No Capitaai, monitoramos os 225 editais ativos em tempo real em nosso banco. PROMAC aparece quando abre. Você recebe alerta na hora, não fica pra trás porque "não viu" em site da prefeitura que tá desatualizado.

Segundo: prepare documentação antecipada. Não espere edital abrir pra correr atrás de CNPJ, comprovante de aluguel, declaração de imposto em dia, carta de apresentação da organização. Tenha tudo pronto e atualizado. Quando PROMAC abre, você manda em 2 dias enquanto concorrente tá rodando atrás de papel.

Documentação "viva" (imposto em dia, certificado de regularidade, comprovante de aluguel) pode ficar desatualizada rápido. Reneue a cada 3 meses, mesmo sem edital aberto. Quando chegar o dia, sai de casa pronto.

Terceiro: adeque seu projeto. PROMAC tem linhas temáticas específicas. Seu projeto precisa se encaixar. Não force. Se o edital pede "circulação de cultura em bairros periféricos" e seu projeto é "produção de videoarte experimental pra galerias", você não entra. Espera edital que valorize pesquisa de linguagem.

Leia edital 3 vezes antes de entregar. Primeira leitura, vista geral. Segunda, critérios de seleção. Terceira, documentação exigida. Quem pula essa etapa perde projeto aprovável por falta de um PDF.

Quarto: não misture PROMAC com Rouanet no mesmo ano da mesma obra. Tecnicamente pode (depende do edital). Mas risco é altíssimo. Se ambas aprovarem, você precisa gastar duas vezes ou vai ter devolvimento de recurso. Melhor estratégia: PROMAC em ano A (pra projeto menor ou circulação), Rouanet em ano B (pra projeto maior que exige patrocinador). Planeja com calendário de 2 anos.

Estratégia que funciona: mapeie os últimos 3 editais PROMAC (edições anteriores publicadas). Veja que linhas repetem todo ano, quais valores repetem, qual documentação é pedida sempre. Estruture seu projeto pra se encaixar no padrão. Quando abrir novamente, você manda no dia 1 e tá blindado.

Quinto: tenha 3-4 projetos em prontidão, não só 1. Porque edital vai ter critérios específicos, vai ter preferência por tema. Seu melhor projeto talvez não se encaixe naquela edição. Mas o segundo ou terceiro, encaixa. Flexibilidade é o que decide quem capta e quem não.

Mantém pipeline de projeto sempre vivo. Não espera edital abrir pra escrever projeto. Quando abre, você já tem coisa pronta pra se adequar em 1 semana.

Detalhe que muda o jogo: quando edital PROMAC abre, tem prazo curto (geralmente 30-45 dias). Muita gente descobre no dia 25 e não consegue montar documentação. Você, que leu esse artigo, já tá adiantado meses. Prepara agora, entra correndo quando abre, ganha.

Pega isso antes que feche →

PROMAC não é bala de prata. Lei Rouanet capta volume maior pra projetos grandes. Mas pra captador que quer processo mais leve, menos dependência de patrocinador corporativo, e resultado rápido com menos burocracia, PROMAC é o atalho que poucos sabem usar direito.

Se você tem projeto em São Paulo e nunca tentou PROMAC, tá deixando dinheiro na mesa.

Tá esperando o quê?

Fontes consultadas

  1. [1]Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo
  2. [2]Diário Oficial do Município de São Paulo
  3. [3]Portal de Transparência de São Paulo
  4. [4]Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo
C
Capitaai
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Perguntas frequentes

Dúvidas mais comuns de captadores sobre este edital.

Não. PROMAC é subvenção direta do município, ou seja, dinheiro que vem do cofre público sem necessidade de patrocinador privado. Lei Rouanet é incentivo fiscal, onde a empresa gasta e recebe crédito de imposto. Na prática, PROMAC não exige que você procure patrocinador corporativo. A prefeitura de São Paulo aloca orçamento anual e distribui entre projetos aprovados via edital aberto. Rouanet exige que você já tenha o patrocinador fechado antes de inscrever o projeto. Para captadores pequenos e médios que não têm rede em grandes empresas, PROMAC é muito mais viável porque elimina essa barreira de acesso ao patrocínio corporativo.