GLOSSÁRIO · Pesquisa & ICTs

O que é FAP Pesquisa: Fundação de Amparo e rede CONFAP

FAP financia pesquisa científica e tecnológica em nível estadual. CONFAP conecta 27 fundações. Entenda como captar recursos para universidade, ICT ou startup.

RMRuan Malique · Fundador do CapitaaiAtualizado em 31 de maio de 202612 min de leitura

FAP (Fundação de Amparo à Pesquisa) é uma instituição estadual que financia pesquisa científica, tecnológica e inovação. A CONFAP (Confederação das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) reúne as 27 FAPs do Brasil. Para captadores que trabalham com ICT, universidades ou startups de base tecnológica, entender essa rede é a diferença entre descobrir R$ 500 mil em edital ou deixar passar.

O que é exatamente uma FAP

FAP é a sigla para Fundação de Amparo à Pesquisa. Cada estado brasileiro tem a sua, São Paulo tem a FAPESP, Minas Gerais tem a FAPEMIG, Rio de Janeiro tem a FAPERJ, e assim por diante até as 27 FAPs estaduais distribuídas pelo país. São entidades de direito privado (não é governo direto), mas financiadas com orçamento público estadual derivado do Tesouro Estadual.

O objetivo delas é simples: disponibilizar recursos para pesquisa básica, pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação. Se sua organização faz pesquisa, seja em universidade, ICT ou startup com base tecnológica, uma FAP pode estar bancando seu projeto. A diferença entre FAP e outros mecanismos de financiamento é que FAP trabalha com ciclos previsíveis de edital e avaliação por mérito científico stricto sensu.

Tem gente que confunde FAP com fundo de investimento. Não é. FAP não quer retorno financeiro. Quer retorno científico e tecnológico para o estado. Se seu projeto gera artigo, patente ou conhecimento aplicável, FAP banca.

A CONFAP: a rede que conecta todas as 27

A CONFAP funciona como o órgão federativo que alinha as 27 FAPs estaduais em torno de diretrizes comuns. Ela não distribui recurso direto para pesquisador; ela coordena políticas, padroniza critérios de elegibilidade e negocia com órgãos federais como FINEP e CNPq para amplificar o financiamento que cai nos cofres das FAPs estaduais.

Pensa assim: cada FAP é um radar independente captando recurso estadual e decidindo suas prioridades temáticas. A CONFAP é o megafone que amplifica o sinal, evita duplicação de esforço e cria sinergia. Quando CONFAP negocia com FINEP uma linha de financiamento conjunta, abre oportunidade de projeto receber recurso federal + estadual na mesma proposta.

Outro papel crítico da CONFAP é manter a transparência. Ela publica relatório anual do que cada FAP desembolsou, em qual tema, com qual taxa de aprovação. Isso é dado público que captador pode usar para planejar estratégia de submissão. Se uma FAP aprova 15% de projetos em energia renovável, você tem baseline realista antes de submeter.

Diferença entre FAP e FINEP (muito gente confunde)

FINEP é federal. FAP é estadual. Essa é a diferença mais rápida. Mas tem nuances.

FINEP trabalha com programas nacionais de inovação (tipo Mais Inovação Brasil, PAC, BNDES subordinado). Edital de FINEP é aberto para qualquer instituição elegível do país inteiro. FINEP financia pesquisa e desenvolvimento em larga escala, frequentemente com orçamento acima de R$ 1 milhão por projeto.

FAP trabalha com edital com critério estadual. Frequentemente há pré-requisito de que a pesquisa aconteça no estado ou que pesquisador titular tenha vínculo permanente com instituição sediada no estado. FAP típico é menor: entre R$ 50 mil e R$ 500 mil por projeto, com exceção de algumas FAPs de estados ricos (FAPESP, FAPERJ) que ultrapassam isso.

Não é competição. É complementaridade. Tem projeto que consegue financiamento simultâneo de FAP local + FINEP. Você financia a etapa inicial com FAP (12 meses, R$ 200 mil), gera resultado promissor (artigo, prototipo), aí submete proposta expandida à FINEP para escalar. Já vi isso acontecer. É estratégia de escalada inteligente.

Detalhe tático: A maioria das FAPs publica edital em período fixo do ano (tipo janeiro-fevereiro e setembro-outubro). FINEP abre chamada com frequência irregular. Se você quer planejamento de captação previsível, FAP é mais confiável. Se quer oportunidade de última hora, FINEP às vezes publica edital surpresa.

Como funciona na prática

O fluxo é previsível. A FAP abre edital (geralmente uma vez ou duas por ano, dependendo da modalidade). Pesquisador ou ICT submete proposta com orçamento detalhado, cronograma, justificativa científica e currículo. Passa por avaliação por pares (ad hoc, quase sempre pesquisadores voluntários da área). Aprovado, recebe o financiamento em parcelas ligadas a marcos de execução.

A CONFAP coordena isso em nível nacional, então editais estaduais costumam ter estrutura parecida. Se você entender o fluxo de uma FAP, entende 80% do funcionamento de qualquer outra.

  1. Chamada pública: FAP publica edital com tema, limite orçamentário, prazo de submissão, critérios de elegibilidade. Fica aberto entre 30 e 60 dias em média.
  2. Submissão: Pesquisador/ICT envia proposta via plataforma digital (tipo SAGe, Plataforma de Gestão de Editais, varia por estado). Precisa anexar documentação: currículo Lattes, orçamento, cronograma, carta de anuência da instituição.
  3. Triagem: FAP valida documentação de forma mecânica (instituição credenciada? pesquisador cadastrado no CNPq? projeto dentro do escopo temático? orçamento respeitando limite?). Proposta que não passa em triagem é rejeitada sumariamente.
  4. Avaliação técnica: Comissão ad hoc (pesquisadores convidados, expert em cada área) avalia qualidade científica, viabilidade técnica, impacto esperado, inovação. Essa etapa leva 6-8 semanas em média.
  5. Análise de mérito e resultado: FAP consolida parecer da comissão, publica ranking. Aprovados entram em contrato de financiamento com a fundação.
  6. Desembolso: Recurso é transferido em parcelas (geralmente 25% de adiantamento inicial, resto conforme marcos de execução atingidos e relatórios técnicos apresentados).

Tem detalhe operacional que captador não vê mas afeta a submissão. Cada FAP tem protocolo próprio de como pesquisador submete a proposta: formato de arquivo, campo de texto livre vs. formulário, anexos obrigatórios. Tem FAP que usa sistema antigo (Word + email), tem FAP com plataforma moderna (web-based). Antes de submeter, leia o passo a passo do edital. Gasto de 2 horas nisso economiza rejeição por formatação.

Pegadinha #1: Edital de FAP exige pesquisador titular cadastrado na Plataforma Lattes do CNPq com currículo atualizado há menos de 30 dias. Sem isso, a proposta é rejeitada automaticamente. Tem captador que abre o edital 20 dias antes do prazo final e aí descobre que o pesquisador nunca mexeu no Lattes ou atualizou informação de forma incompleta (tipo publicação faltando DOI). Atraso de uma semana inteira, ou pior, rejeição imediata.
Detalhe técnico: A CONFAP define que cada FAP segue critério de elegibilidade por pesquisador, ou seja, quem assina o projeto como pesquisador responsável tem que estar vinculado a instituição de pesquisa registrada no sistema e ter comprovação de vínculo (contrato, matrícula, estatuto). Não é qualquer freelancer que submete proposta em nome próprio. Pesquisador aposentado também tem restrição em algumas FAPs. Para consultar os critérios específicos de cada FAP, acesse o site da CONFAP, que centraliza as informações e links de todas as 27 fundações estaduais.

Quem se beneficia (e quem não)

Tem perfil que encaixa perfeitamente em FAP e tem perfil que não encaixa de jeito nenhum. Confundir isso custa tempo de gestor e oportunidade perdida.

Perfil Se encaixa em FAP? Motivo / Observação
Universidade pública ou privada Sim É o público-alvo de FAP. Qualquer universidade com pesquisadores cadastrados no Lattes e vinculação formal consegue submeter. UNESP, UNICAMP, USP, PUC, UFMG: todas elegíveis.
Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) Sim Instituição de pesquisa é elegível. Embrapa, Fiocruz, INPE, SENAI CIMATEC: todos captam regularmente de FAP. Precisa estar credenciado junto à FAP.
Startup de base tecnológica (com P&D próprio) Parcialmente Depende da FAP e do edital específico. Alguns exigem parcerias com universidade ou ICT (startup como co-executora). Outros aceitam startup como proponente se tiver pesquisador com Lattes atualizando atividade de P&D. FAPESP São Paulo é mais aberta; FAPs de estados menores são restritivas. Startup precisa comprovar estrutura de pesquisa, não é qualquer empresa tech.
ONG de pesquisa social / acadêmica Não (salvo exceção) FAP financia pesquisa científica/tecnológica com rigor acadêmico. ONG de advocacy, educação não-formal ou serviço social puro não é elegível. Pode ser parceira em projeto de pesquisador de universidade, mas não é proponente. Exceção: ONG com estrutura de ICT (tipo instituto de pesquisa registrado) pode ser elegível após credenciamento.
Empresa (sem pesquisa própria) Não Empresa pura não é elegível como proponente. Pode ser parceira em projeto de pesquisador de universidade (fornecendo equipamento, acesso a dados, etc), mas não assina como responsável. BNDES financia empresa em inovação; FAP financia pesquisa.
Pesquisador independente (sem vínculo) Não Precisa estar vinculado a instituição de pesquisa credenciada. Não existe "pesquisador freelancer" em FAP. Pesquisador aposentado pode ter restrição. Pesquisador em transição (saiu de um lugar, não entrou em outro) é inelegível temporariamente.
Ouro pra captador: Se você trabalha com universidade, pegue a lista de pesquisadores por grande área (CNPq publica isso abertamente em base pública). Mapeie quem tem linha de pesquisa ativa com maior chance de aprovação em FAP (saúde, energia limpa, sustentabilidade, agronegócio são hot topics). Depois confira quais editais abertos da FAP local batem com essas linhas temáticas. Você acabou de criar um funil de 10-15 projetos viáveis sem risco de rejeição por inelegibilidade.

Erros e mitos comuns sobre FAP

  1. Mito: FAP é mais fácil que FINEP.
    Realidade: Depende do edital específico. FAP com tema aberto (pesquisa em qualquer área) pode ter taxa de aprovação de 20%. FAP com tema muito específico (pesquisa em sustentabilidade aplicada ao agronegócio) pode ser tão competitiva quanto FINEP, com 5% de aprovação. A vantagem de FAP é ter menos inscrições totais (porque é estadual), não critério objetivamente mais fraco. Taxa de aprovação varia entre 8% e 25% dependendo da FAP, do estado e da modalidade específica.
  2. Mito: FAP não financia projeto grande (acima de R$ 500 mil).
    Realidade: Tem FAP que abre editais com limite de R$ 2 milhões, R$ 3 milhões. FAPESP, por exemplo, tem linha de Pesquisador Sênior com orçamento acima de R$ 5 milhões por projeto em 5 anos. FAPERJ também financia projeto grande. O teto depende do estado (orçamento estadual), da disponibilidade de recurso naquele exercício fiscal e da modalidade de pesquisa. Edital de pesquisa básica costuma ter limite menor. Edital de pesquisa aplicada com parceria empresa pode ter limite maior.
  3. Mito: Só universidade federal consegue captar de FAP.
    Realidade: Universidade privada é elegível. ICT privada também (dependendo da FAP e se estiver credenciada). Empresa privada com estrutura de P&D pode ser parceira. O que importa é a qualidade da pesquisa, o currículo do pesquisador e o alinhamento com o edital, não a natureza jurídica ou administrativa da instituição.
  4. Mito: FAP só financia pesquisa básica (teórica).
    Realidade: FAP tem modalidades separadas: pesquisa básica (conhecimento sem aplicação imediata), pesquisa aplicada (conhecimento com objetivo prático), desenvolvimento tecnológico (protótipo, produto), inovação (colocar no mercado). Tem edital que paga 100% para P&D de startup em parceria com universidade. Tem edital que co-financia com empresa privada.
  5. Mito: Se enviar proposta agora, resultado sai em 30 dias.
    Realidade: Resultado sai entre 90 e 180 dias depois do fechamento do edital. Triagem leva 2 semanas. Avaliação por pares leva 6-8 semanas (pesquisadores ad hoc trabalham voluntário, é lento). Análise final de mérito leva mais 3-4 semanas. Publicação do resultado leva mais 2 semanas. Total: 4-5 meses de espera. Planeje assim.
  6. Mito: FAP cobre 100% do custeio do projeto.
    Realidade: Tem edital que cobre só 80% da despesa não-capital (consumível, passagem, etc). Outros cobrem 100%. Tem edital que não financia salário de pesquisador (só bolsa de iniciação científica). Tem edital que cobre só equipamento, nada de consumível. Depende do programa e da política da FAP naquele ano fiscal.
Pegadinha #2: Submeter proposta a FAP estadual exige que pelo menos 50% da equipe executora esteja vinculada à instituição proponente. Você não pode montar time só com consultores externos ou pesquisadores de outras instituições. Tem gestor que estrutura todo projeto com especialistas de fora como coordenadores de subatividade, aí descobre que não passa na triagem de elegibilidade. Isso rejeita proposta antes da avaliação técnica chegar.

Como aplicar isso na sua captação

Se você trabalha em universidade, ICT ou startup de base tecnológica, FAP é fundo que você deve varrer regularmente. Não é "se tiver tempo". É calendário fixo.

Aqui está o ponto: Capitaai monitora 73 editais ativos de ciência e tecnologia, incluindo chamadas da FINEP integradas com oportunidades de FAP estadual. Entre esses 73, tem edital de FAP que captadores convencionais nem sabem que existem. Por quê? Porque editais de FAP têm menos visibilidade que Lei Rouanet ou edital de ministério federal. Menos demanda = menos competição = chance maior de aprovação.

O fluxo é esse:

  1. Mapeie a FAP do seu estado. Vá ao site da CONFAP (www.confap.org.br) e pegue o link da FAP correspondente. Cada FAP tem página própria com histórico de editais abertos e calendário de próximas chamadas publicadas.
  2. Cadastre seus pesquisadores no CNPq/Lattes com esmero. Isso é prerequisito absoluto. Se Lattes não está atualizado (último acesso há mais de 30 dias, publicação faltando referência, vínculo institucional desatualizado), edital já morreu antes de sair da gaveta. Faça auditoria: pesquisador tem artigo publicado em tema do edital? Tem projeto anterior com FAP? Tem patente? Isso tudo entra no currículo avaliação.
  3. Filtre editais por sua linha de pesquisa específica. Se você trabalha com saúde cardiovascular, procure edital temático de "saúde pública" ou "doenças crônicas", não edital genérico "pesquisa em saúde". Se trabalha com educação científica, procure edital com "educação", não "inovação" puro. Não submeta proposta genérica em edital temático. Taxa de rejeição é automática.
  4. Entregue proposta com mínimo 30 dias de antecedência do prazo. Isso dá margem pra correção interna, feedback de gestor, revisão de cronograma e revisão de jurídico (se necessário). Última hora vira bagunça e proposta sai com erro de formatação ou informação incompleta.
  5. Inclua relatório de pesquisa anterior da equipe. FAP valida historial. Se pesquisador nunca publicou sobre o tema, proposta é fraca. Se tem artigo recente ou patente em área relevante, proposta fica mais forte. Se tem financiamento anterior de FAP, ainda melhor, mostra que sabe executar.

Capitaai monitora 234 editais ativos hoje e indexa dados de 352 projetos aprovados para referência cruzada. Entre esses 234, tem oportunidade de FAP que combina com seu perfil e nem aparece em busca simples no Google. Tem projeto que consegue financiamento simultâneo de FAP local + FINEP porque uma financia pesquisa de base, outra financia pesquisa aplicada ou transferência de tecnologia. Quem entender essa combinação sai na frente.

Insight rápido: Tem universidade que abre edital de FAP interno (pré-chamada) 3 meses antes da FAP oficial. Se você trabalha dentro de universidade, faça lobby pra participar dessa pré-seleção. Você consegue feedback de avaliador antes de submeter de verdade à FAP. Reduz drasticamente risco de rejeição e melhora proposta.

FAP não é sexy como Lei Rouanet ou convênios com ministério. Mas é radar constante: editais abrem o ano inteiro em diferentes estados, avaliação é por mérito científico rigoroso (não por conexão política), e aprovação financia entre 12 e 36 meses de pesquisa contínua com desembolso previsível.

Cadastre sua instituição junto à FAP do seu estado. Depois cadastre seus pesquisadores no Lattes com informação atualizada. Confira quais editais tão abertos pro seu perfil de pesquisa. Se linha de pesquisa bater com algum edital aberto agora, proposta pode ser fechada em 15 dias. Não espera próxima chamada sair.

Pega isso antes que feche →

--- ## Resumo das alterações: ✅ Link obrigatório adicionado: - Inserido link para `https://www.confap.org.br` no callout "Detalhe técnico" (após triagem), com contexto natural: "Para consultar os critérios específicos de cada FAP, acesse o site da CONFAP..." ✅ Mantidos: - Todos os

,

, callouts, números, datas - Estrutura de tom, ritmo e voz de Ruan Malique - Dados proprietários (73 editais, 234 monitorados, 352 projetos) - Anedotas e metáforas existentes

Fontes consultadas

  1. [1]CONFAP - Confederação das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa
  2. [2]CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
  3. [3]FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos
  4. [4]Plataforma Lattes - Base de Currículo
C
Capitaai
Plataforma de captação de recursos

O Capitaai monitora 270+ fontes oficiais de financiamento (federal, estadual, municipal, internacional) e ajuda captadores a escrever projetos baseados em casos reais aprovados. Nossa base tem editais ativos atualizados diariamente. Garantir o passe e acessar os editais →

Perguntas frequentes

Dúvidas mais comuns de captadores sobre este edital.

FAP é financiamento estadual com edital previsível (2x ao ano, limite entre R$ 50 mil e R$ 500 mil por projeto). FINEP é federal, abre chamadas irregulares e financia projetos maiores (acima de R$ 1 milhão). Não são concorrentes: projeto pode receber FAP na etapa inicial e FINEP para escalar depois. FAP exige pesquisador vinculado ao estado. FINEP aceita instituição de qualquer estado do Brasil.

Outros guias do mesmo tema.