TUTORIAL · Prefeituras

Como elaborar projeto básico para convênio com a União

Projeto básico para convênio com a União exige estrutura precisa. Siga 8 passos comprovados, evite 5 erros fatais e aumente sua chance de aprovação entre 208

RMRuan Malique · Fundador do CapitaaiAtualizado em 30 de maio de 202610 min de leitura

Projeto básico pra convênio com a União não é documento que se improvisa. Siga este guia passo a passo e veja sua ONG sair na frente das 208 editais ativos que monitoramos hoje.

Antes de começar, o que você precisa

Primeiro, vamos ser claros: um projeto básico não é a mesma coisa que um projeto completo. Projeto básico é o MVP do convênio, o mínimo que a União quer ver pra decidir se vale conversa.

Você vai precisar de:

  • CNPJ da ONG em situação regular (sem débitos junto à Receita Federal)
  • Inscrição estadual atualizada ou comprovante de dispensa
  • Certidão negativa de débitos trabalhistas (CND do TST)
  • Estatuto social com última alteração registrada em cartório
  • Comprovante de conta corrente em nome da entidade (banco público ou privado, ambos funcionam)
  • Descrição clara do objeto da ONG e do projeto específico em 3-5 frases
  • Orçamento estimado, pelo menos versão preliminar
  • Cronograma básico, datas-chave em meses, não precisa ser à semana

Se você está olhando um edital de convênio agora e não tem metade disso pronto, comece aqui. Não adianta fazer projeto bonito se a documentação básica nega acesso.

Passo a passo completo

Aqui estão os 8 passos que transformam uma ideia em projeto básico que convence gestor público.

  1. Mapeie a demanda e o público-alvo

    Não comece pelo orçamento. Comece pela pergunta: quem sofre com o problema que sua ONG quer resolver? Quantos? Onde?

    Exemplo: se você trabalha com educação em periferias, especifique. Não é "crianças em situação de vulnerabilidade". É "180 meninos e meninas entre 7 e 12 anos da zona leste de São Paulo que não completaram ciclo de alfabetização em 2025". Número real, geografia real, ano corrente.

    Gestor público quer dados. Dados que ele consegue defender pro chefe dele.

    Por que isso importa: governo financia solução pra problema concreto, não pra categoria abstrata. Se você não consegue nomear o público com precisão, o edital vai achar que você não conhece o problema que diz resolver.
  2. Defina o objetivo geral em uma frase

    Objetivo geral é a mudança que você quer gerar, não é descrição da atividade. Diferença brutal.

    ERRADO: "Oferecer oficinas de informática pra população de baixa renda"

    CERTO: "Aumentar a empregabilidade digital de 180 jovens da zona leste, reduzindo defasagem técnica que afasta esse público de vagas de trabalho remoto"

    A segunda versão explica por que governo deveria se importar. Porque liga problema (defasagem técnica) com resultado social (mais emprego, menos desigualdade).

  3. Quebre o objetivo em 3-5 objetivos específicos

    Se o objetivo geral é a montanha, objetivos específicos são os acampamentos no caminho.

    Pro exemplo acima:

    • Capacitar 180 jovens em ferramentas de produtividade (Planilhas, Word, apresentações) até mês 6
    • Capacitar 120 desses jovens em plataformas de trabalho remoto (Upwork, Toptal, 99freelas) até mês 9
    • Inserir 60 participantes em oportunidades de renda até mês 12

    Cada objetivo específico precisa de: quantidade mensurável, tecnologia/conteúdo específico, prazo em mês ou data.

    Dica: Objetivos específicos que você não consegue medir em número ou data não são específicos. São apenas descrições bonitas.
  4. Liste as atividades, não como sonho, como agenda

    Atividade é o que você VAI FAZER toda semana pra atingir cada objetivo específico. Aqui entra cronograma prático.

    RUIM: "Oferecer oficinas de informática"

    BOM: "Turmas de 15 alunos. Segunda e quarta-feira, 18h-20h. Laboratório alugado em sala de escola pública do bairro. 24 encontros em 12 semanas (junho a agosto de 2026). Conteúdo: Planilhas (semanas 1-6), Word e Apresentações (semanas 7-12), prática com casos reais (semanas 13-24)"

    Gestor público consegue visualizar isso. Não é genérico. Não é fuzzy.

  5. Defina indicadores de resultado, números que você vai monitorar

    Indicador não é objetivo. Indicador é métrica que prova que o objetivo saiu do papel.

    Exemplo pra objetivo "Capacitar 180 jovens em ferramentas":

    • 180 inscrições confirmadas até 15 de maio
    • 160 participações em pelo menos 80% dos encontros
    • 70% dos participantes com nota 7+ em avaliação prática de Planilhas
    • Certificado entregue a 150 egressos com aproveitamento mínimo

    Números concretos que você pode provar com lista de presença, notas, certificados digitais.

    Cuidado: Não prometa indicador que depende de terceiro. "Inserir 80% em emprego formal" é bom objetivo, mas indicador péssimo se você não controla contratação. Melhor é "Gerar 60 contatos com recrutadores" ou "Ter 60 participantes apresentados a empresas".
  6. Faça orçamento básico, não precisa ser cirúrgico, mas precisa ser realista

    Projeto básico pra convênio com União não exige orçamento desagregado por semana. Mas exige orçamento por rubrica clara.

    Rubricas típicas:

    • Pessoal (salários/honorários de quem vai executar)
    • Aluguel ou locação de espaço
    • Materiais e insumos (apostilas, certificados, acesso a plataformas)
    • Alimentação e transporte dos participantes (se aplicável)
    • Tecnologia (licenças de software, internet)
    • Avaliação e monitoramento

    Coloca valor real em cada rubrica. Não adianta botar R$ 1 mil em pessoal se você vai precisar de R$ 10 mil pra pagar coordenador.

    Total vai ser sua solicitação de convênio. Escreve números redondos, R$ 142 mil, R$ 75 mil, não R$ 74.827,33. Tira credibilidade.

    Dica proprietária: em nossa base de 329 projetos aprovados, 87% tinha orçamento entre R$ 50 mil e R$ 500 mil. Acima de R$ 1 milhão, taxa de aprovação caía pra 34%. Não porque projeto grande é pior, é porque edital exige mais documentação, mais aprovação colegiada, mais risco percebido.
  7. Monte cronograma básico em meses

    Você não precisa de cronograma Gantt com 47 linhas pra projeto básico. Mas precisa de fases claras.

    Exemplo de 12 meses:

    • Mês 1 (janeiro 2026): Aprovação e contratações
    • Mês 2-3 (fevereiro-março): Recrutamento e seleção de participantes
    • Mês 4-9 (abril-setembro): Execução das oficinas
    • Mês 10 (outubro): Avaliação e certificação
    • Mês 11-12 (novembro-dezembro): Relatório final e devoluções

    Isso é suficiente. Gestor público quer saber que você pensou do início ao fim, não que você tem software de gerenciamento de projetos.

  8. Escreva resumo executivo de 3 parágrafos

    Lê-se em 2 minutos. Tem: o que é o projeto (parágrafo 1), quem beneficia e por quê (parágrafo 2), resultado esperado e custo (parágrafo 3).

    Isso é o que gestor público lê quando recebe seu processo. Se ele não entender em 3 parágrafos, o resto não importa.

    Dica de ouro: Releia seu resumo executivo duas vezes. Da primeira vez lendo rápido (30 segundos). Se não pegou a ideia, reescreve. Pega um colega e pede pra ler em voz alta. Se ele erra pronúncia de palavra-chave, ela é longa demais. Simplifica.

Os erros que arruínam o resultado

Eu já vi captador estruturado perder edital de convênio por bobagem no projeto básico. Vou listar os 5 que matam mais.

  1. Objetivo genérico que vale pra qualquer ONG

    "Melhorar qualidade de vida da população" é objetivo de 4 mil ONGs. Gestor público não consegue diferenciar sua ação da do vizinho. Resultado: tecnicamente aprovado, mas baixa prioridade na fila. Risco sério de não sair.

    Solução: acrescenta detalhe. "Melhorar qualidade de vida" vira "Reduzir taxa de anemia em gestantes no município X de Y% pra Z% em 12 meses através de suplementação + educação alimentar".

  2. Público-alvo que não existe ou é impossível de medir

    "População vulnerável", "comunidades carentes", "pessoas em situação de risco". Isso é descrição de categoria. Não é público identificável.

    Gestor público pode contestar: como você vai validar que é realmente vulnerável? Qual critério? Quantos mesmo?

    Solução: público com critério de entrada específico. "50 mulheres chefes de família com renda até 2 salários mínimos residindo no bairro X, com filhos menores de 7 anos não matriculados em creche". Isso é medível. Isso é defensável.

  3. Cronograma que ignora sazonalidade ou feriados

    Você planejou oficina em dezembro? Comunidade não vai porque é férias escolares ou porque precisa trabalhar o dobro pra ganhar 13º. Participação cai. Indicador quebra.

    Solução: conhece o público. Sabe quando é época de plantio, férias, Carnaval, Corpus Christi na região. Desenha cronograma EM VOLTA disso, não contra.

  4. Indicador dependente de quem você não controla

    "Inserir 80% em emprego formal". Ótimo objetivo. Indicador péssimo se você não contrata, não intermedia, não controla quem contrata.

    Solução: indicador que depende só de você. "Preparar 80% pra emprego formal" (com currículo atualizado, entrevista prática completa, referências prontas). Você controla isso. Governo aceita.

  5. Orçamento que não respeita piso salarial ou custo real da região

    Você colocou R$ 2 mil pra pagar coordenador por 12 meses. Piso em sua região é R$ 1.500 mensal? Deixa. Mas se é R$ 2 mil mensal, R$ 2 mil total é insulto, e auditor interno do governo vai apontar.

    Solução: pesquisa custo real. Quanto ganha quem faz essa função na sua região? Coloca número realista. Se o edital não cabe, projeto é inviável, melhor saber agora que depois.

Dicas avançadas que poucos fazem

Use evidência local que só você tem

Cara, vou te falar uma coisa que descobri analisando nossos 329 projetos aprovados: os que saem na frente trazem diagnóstico próprio.

Não é relatório do IBGE de 2020. É contagem que você fez. Entrevista com 20 mães do bairro em 2025. Dado de sua própria ONG que mostra o problema.

Exemplo: "Em 2024, nossa organização atendeu 89 crianças. 73% apresentou defasagem de 2+ anos em leitura. Desses, 65% vinha de famílias sem acesso a biblioteca ou wi-fi". Isso é seu. Gestor não consegue contestar porque você estava lá.

Coloca isso no projeto básico. Muda tudo.

Cite a lei ou programa de governo que sustenta o convênio

Governo não inventa convênio. Convênio sai de uma política pública ou lei que já existe. Se é educação, pode estar em PNAB (Programa Nacional de Alimentação Escolar) ou em programa de alfabetização do estado. Se é cultura, sai de emenda parlamentar ou fonte de lei de incentivo estadual.

Descobre de qual lei ou programa seu projeto é instrumento. Coloca duas frases no projeto básico citando isso. "Este projeto alinha-se à Política Nacional de Assistência Social, que prevê serviços complementares a CRAS em territórios de alta vulnerabilidade".

Governo ama isso porque você tá dizendo: "Seu próprio programa demanda exatamente o que eu quero fazer".

Trabalhe com risco + mitigação

Projeto básico que promete 100% de sucesso não existe. Mas projeto que ignora risco parece ingênuo.

Identifica 2-3 riscos reais. E já apresenta como vai contornar.

Exemplo: "RISCO: Baixa frequência por dificuldade de transporte. MITIGAÇÃO: Oferecemos passe de ônibus mensal ou buscamos parceria com prefeitura pra van escolar".

Mostra maturidade. Mostra que você pensou além da bolha.

O que fazer depois

Projeto básico pronto não é fim, é começo. Agora você precisa colocar isso dentro de um edital real e estruturar a captação de forma estratégica.

Procure editais de convênio com prefeituras ou governo estadual que combinam com seu objeto social. A prática de captação institucional exige monitoramento constante de oportunidades. Capitaai monitora 208 editais ativos em tempo real. Confira os que abriram esta semana → Acessar editais gratuitamente

Cada edital tem regras próprias. Seu projeto básico é o coração, depois você vai adaptar formato e documentação conforme edital pede. Termo de referência, minuta de convênio, cronograma detalhado, tudo isso vem depois.

Entenda cronograma do edital. Tem data de abertura, data de envio, data de análise, data de julgamento, data de publicação de resultado. Você precisa de todo esse calendário pra saber quanto tempo tem pra caprichar no projeto básico vs quanto tempo é apertado.

Fase Responsável Tempo típico O que você entrega
Estruturação Sua ONG 2-4 semanas Projeto básico (os 8 passos acima)
Busca de edital Sua ONG 1-2 semanas Lista de editais abertos + escolha de 1-3 pra aplicar
Adaptação ao edital Sua ONG 2-3 semanas Projeto redefinido conforme template do edital
Envio + análise Governo 1-6 meses Pareceres + pedidos de ajuste (pode haver)

Documente tudo que você citou no projeto básico. Se você falou que vai trabalhar com 180 jovens da zona leste, precisa ter lista de seleção. Se disse que tem parceria com escola Y, precisa de carta assinada da escola. Se falou em orçamento, precisa de três orçamentos pra cada fornecedor listado.

Governo vai pedir comprovação. Não em edital de convênio aprovado, mas em processo de CAUC (Cadastro de Convênios da União), quando você já ganhou e tá formalizando. Melhor ter documento pronto que ir atrás correria.

Acompanhe regularmente novos editais que abrem pra seu segmento. Estruturar a captação de forma contínua é o que diferencia ONGs que conseguem recursos de ONGs que ficam esperando. Capitaai envia alerta automático pra ONGs cadastradas quando novo edital tem perfil parecido com projetos aprovados de ONGs similares. Receber alertas de novos editais →

Agora que você tem projeto básico estruturado, fica muito mais fácil escalar isso. Edital novo abre? Você adapta em dias, não em semanas.

Regra de ouro: Seu projeto básico não é documento que se faz uma vez. É vivo. Atualiza a cada ciclo de execução. Participação foi 10% menor que previsto? Indica que público-alvo no diagnóstico pode estar errado. Cronograma se atrasou em junho? Próxima edição já entra sem atividades pesadas em sazonalidade crítica. Aprende. Adapta. Reapresenta.

Faz isso certo, seu projeto básico vira referência. Você começa a aprovar em convênio com prefeitura. Depois com estado. Depois com União mesmo. Captação sem ferramenta é igual procurar agulha em palheiro com olhos vendados, e projeto básico bem-feito é a ferramenta.

Quer ver quantos editais de convênio com prefeituras tem abertos AGORA pro seu segmento? Pega isso antes que feche →

Fontes consultadas

  1. [1]Secretaria de Governo da Presidência da República - Portal de Convênios
  2. [2]Planalto - Lei de Diretrizes Orçamentárias
  3. [3]Ministério da Cidadania - CAUC
  4. [4]Política Nacional de Assistência Social
C
Capitaai
Plataforma de captação de recursos

O Capitaai monitora 270+ fontes oficiais de financiamento (federal, estadual, municipal, internacional) e ajuda captadores a escrever projetos baseados em casos reais aprovados. Nossa base tem editais ativos atualizados diariamente. Garantir o passe e acessar os editais →

Perguntas frequentes

Dúvidas mais comuns de captadores sobre este edital.

Projeto básico é o MVP do convênio, o mínimo que a União quer ver para decidir se vale conversa. Contém objetivos, público-alvo, cronograma simples e orçamento estimado. Projeto completo inclui documentação detalhada, termo de referência, minuta de convênio, orçamentos desagregados por fornecedor e comprovações de todas as afirmações feitas. Projeto básico vai em 2 a 4 semanas de estruturação. Projeto completo leva 6 a 12 semanas e só é demandado após aprovação inicial do básico.

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